“A identidade institucional de uma universidade nunca é estática”

Honoris Causa Philippe Starck

Foi com estas palavras que Isabel Capeloa Gil, Reitora da Universidade Católica Portuguesa, apresentou a nova identidade visual da UCP durante a sessão solene que assinalou o Dia Nacional da Universidade, a 6 de fevereiro.

Na apresentação do novo logotipo, Isabel Capeloa Gil destacou que a identidade institucional de uma universidade “traduz a forma como a instituição se percebe e quer ser percebida no seu tempo”. A Reitora acrescentou que “o novo logo mostra-se como um gesto de fidelidade dinâmica enquanto se reexprime para um novo tempo”, refletindo três dimensões fundamentais: “a continuidade da missão e a renovação da linguagem, a evolução das instituições num mundo em transformação, e a inovação artística que é intrínseca a uma instituição em transformação”.

Essa reflexão sobre a identidade institucional abriu caminho a uma compreensão mais profunda da universidade como vocação de serviço. Como tal, salientou Isabel Capeloa Gil, “a universidade afirma-se como criadora e não reprodutora, como espaço de transmissão responsável e de desenvolvimento autónomo da pessoa”.

É neste horizonte que se inscreve o tema do ano académico, a “Diaconia da Cultura”. Ao entender a universidade como serviço, a Reitora destacou a Católica como espaço de diálogo, discernimento e criação cultural, afirmando que “o nosso papel não é prescrever a partir da cátedra, mas orientar no caminho a partir do diálogo à volta da mesa”.

Na sessão solene, a Universidade Católica Portuguesa atribuiu o grau de Doutor Honoris Causa ao designer francês Philippe Starck, reconhecendo o seu contributo para a arte, o design e a cultura contemporânea.

Na apresentação do doutorando, a Pró-Reitora com o pelouro da Inovação e Empreendedorismo, Céline Abecassis-Moedas, salientou que Philippe Starck se distingue como um criador singular, cuja abordagem alia inovação e compromisso. Recordou que “no seu nível mais profundo, o design não é sobre objetos, mas sobre emoção, significado e relações”, e que “um objeto deve fazer mais do que funcionar bem: deve fazer-nos sorrir, refletir e, por vezes, perturbar-nos ligeiramente”.

Referindo-se à dimensão ética e humanista do trabalho do homenageado, Céline Abecassis-Moedas destacou que “Starck é uma ilustração viva de uma Diaconia da Cultura, onde a criatividade se torna serviço”, reforçando o impacto cultural e social do seu design na vida quotidiana e nos espaços que molda.

Philippe Starck agradeceu a distinção e refletiu sobre o papel do design como linguagem transformadora, reafirmando a criação como gesto de serviço e sublinhando que “estamos aqui para servir, antes de mais, para servir”, participando assim “nesta história extraordinária da nossa humanidade na Terra”.

O encerramento da sessão ficou a cargo de D. Rui Valério, Magno Chanceler da Católica, que sublinhou o papel da Universidade como espaço de diálogo, discernimento e esperança. Afirmou também que “a missão desta Universidade Católica é ser uma Diaconia da Cultura” e acrescentou: “o serviço — a Diaconia — que presta à sociedade não é apenas a formação de profissionais competentes, mas também a salvaguarda de uma razão aberta, capaz de dialogar com o transcendente. Leva à concretização e à prática da transformação do mundo, esse mesmo horizonte contemplado”.

A sessão contou ainda com a imposição das insígnias e a entrega das cartas doutorais aos novos doutores da Universidade Católica Portuguesa, bem como com a atribuição de medalhas aos colaboradores que celebraram 25 e 40 anos de serviço à instituição.