Católica Acolhe Gravação do Podcast «Puxar Pela Cabeça»

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A Católica acolheu a gravação ao vivo do podcast Puxar Pela Cabeça, promovido pela Amrop Portugal em parceria com o Jornal Económico, reunindo diversas personalidades para debater os impactos da inteligência artificial e a urgência de valorizar as competências humanas. Na abertura do encontro, a Reitora da Católica, Isabel Capeloa Gil, sublinhou que a missão do ensino superior ultrapassa largamente a resposta imediata ao mercado de trabalho ou a função de mero fornecedor de recursos para a indústria. Para a Reitora, o compromisso primordial da academia é articular a formação técnica com a construção de cidadãos críticos, capazes de pensar com autonomia e de combater a desinformação.Assumindo que travar o avanço tecnológico seria «como tentar parar o mar com as mãos», defendeu uma adoção ética e profundamente pedagógica da inteligência artificial. Segundo Isabel Capeloa Gil, é essencial que os estudantes compreendam o funcionamento dos algoritmos sem abdicarem do pensamento crítico, da criatividade e, acima de tudo, da empatia, frisando que a capacidade de ler, compreender e cultivar a literacia e a numeracia se mantém como o grande pilar do futuro humano.

A centralidade das pessoas face à tecnologia foi igualmente partilhada pelos restantes intervenientes da sessão, moderada por João Marcelino. Maria da Glória Ribeiro salientou que dimensões como a intuição e a emoção pertencem em exclusivo à mente humana, recusando que processos de recrutamento e decisões de exclusão profissional fiquem reféns de algoritmos sem contacto presencial. No plano empresarial, Rui Miguel Nabeiro reforçou que a eficiência tecnológica não substitui o humanismo, o bem-estar e a relação de proximidade com equipas e clientes, enquanto Adolfo Mesquita Nunes alertou para os perigos da perda de supervisão humana e incentivou as novas gerações a questionarem e a desafiarem permanentemente as decisões automatizadas. A necessidade de enquadrar esta evolução foi também vincada por Assunção Cristas, que destacou a regulação como motor indispensável para uma transição sustentável e sem fraturas sociais, e por Mário Crespo, que advertiu para o risco de cedência a facilidades tecnológicas que empobrecem o rigor, a eloquência e a memória coletiva.